quinta-feira, 3 de março de 2011

BORING FRIENDS by Lydia Davis

We know only four boring people. The rest of our friends we find very interesting. However, most of the friends we find interesting find us boring: the most interesting find us the most boring. The few who are somewhere in the middle, with whom there is reciprocal interest, we distrust: at any moment, we feel, they may become too interesting for us, or we too interesting for them.

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Amigos entediantes (tradução minha)

Conhecemos só quatro pessoas entediantes. Achamos que o resto de nossos amigos são interessantes. No entanto, a maioria dos amigos que achamos interessantes nos acham entediantes: os mais interessantes nos acham os mais entediantes. Nos poucos que estão no meio, com os quais há interesse mútuo, não confiamos: a qualquer momento sentimos que eles podem vir a ser muito interessante para nós, ou nós muito entediantes para eles.

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Hoje na aula de 'Contemporary American Literature' lemos essa short story da Lydia Davis, uma escritora contemporânea, que ainda está viva.
Ela trata de temas atuais e pertinentes à vida moderna. Parece capturar uma essência que nos foge; escreve o que você já pensou, mas nunca conseguiu escrever.
Essa short story nos fala, especialmente, de relações interpessoais.
Poderíamos trocar os adjetivos 'entediante' e 'interessante' por quaisquer outros e ainda assim teríamos o mesmo efeito. Boring e interesting foram os escolhidos, pois, nos EUA hoje em dia esses são adjetivos muito comuns. Ao responder sua opinião sobre qualquer assunto as pessoas insistem em dizer boring ou interesting.
Tente trocá-los por feio e bonito, pobre e rico. E então?

(texto escrito a partir de discussões feitas em sala)

quarta-feira, 2 de março de 2011

Andando por essas ruas molhadas em dias acinzentados, posso perceber o quanto é fácil ter uma paixão diferente a cada dia. Ah, as pessoas! Pra lá e pra cá com seus jeitos e trejeitos. Bastam alguns gestos para que a paixão aconteça. Fugaz? Claro, e, não poderia deixar de ser. Fugaz como tudo, como todos.
Você deve estar se perguntando: - paixão sem ao menos saber o gosto musical, o estilo de vida, os planos futuros, a idade, a opção sexual, o nome?
Sim. E sem saber, também, outras coisas cujo conhecimento é necessário a alguém que esteja interessado em se apaixonar ou se tornar apaixonável. Na verdade, nada disso importa.
A paixão acontece. Vive-se euforicamente alguns minutos do dia. Admira-se, repara-se, teoriza-se, hipotetiza-se. E então, sem a menor chance de tornar-se um romance, a paixão acaba - a partir dos passos a caminhos contrários.
Acaba com tristeza? Não. Amanhã é outro dia.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

SAUDADE

(Augusto dos Anjos)

Hoje que a mágoa me apunhala o seio,
E o coração me rasga atroz, imensa,
Eu a bendigo da descrença em meio,
Porque eu hoje só vivo da descrença.

À noite quando em funda soledade
Minh'alma se recolhe tristemente,
Pra iluminar-me a alma descontente,
Se acende o círio triste da Saudade.

E assim afeito às mágoas e ao tormento,
E à dor e ao sofrimento eterno afeito,
Para dar vida à dor e ao sofrimento,

Da saudade na campa enegrecida
Guardo a lembrança que me sangra o peito,
Mas que no entanto me alimenta a vida.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

paisagem velha

Ela não sabe se essas sensações são devido as andanças que tem feito por aí, os outros ares que respirou, as nuvens que são retas embaixo, os bares de paredes vermelhas, ou os sotaques diversos que contemplou. Ela só sabe que consegue sentir. Até que isso de sentir não é lá de todo ruim, pois, já houveram dias em que não sentiu nada... É uma inquietação chata. Um sentimento de que ela precisa viver algo que está fora dessa cidade, dessas cores, dessas praças, dessas ruas. Algo além, sabe? Além desse samba e desses afazeres. Existe também um medo - e certeza - de que depois, já em outro lugar, tudo volte a essa inquietação, e ela precise viver algo que esteja fora, bem longe dali.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

The same sun - Have Heart

Pra ouvir - aqui

"Son, did you stare too long in front of that mirror?
did it break when your conscience didn't get any clearer
with the stomach you'll fill with all the food you eat
and lack of pain you feel for the eyes that weep
outside your windowsill of the castle where you sleep?

Has the sun stopped shining upon the crown you hang?
has your love and your hate started to feel the same?
did that leave you feeling empty, feeling sick,
feeling as empty as a child's stomach?

As alone and forsaken as you'd like to be
there are shoreless miseries of oceans, not seas
while you wallow and wait in your tower of ivory
your sister is starving, your brother is begging

Your sisters are starving, your brothers are begging
your mothers are mourning, your fathers are folding

Unseen, unsung -- under the same sun

Wake up, look up, there's a warmth up there
a reminder of peace, a reason to care
A reason to care

Wake up, look up, that's something you share
There's more to life than the boy in that mirror...
Wake up, wake up, wake up."

...from the depths of this hell:
where the free are slaves,
no difference between the cowards and brave,
where our love and hate have become the same,
it's time that we "unbecame"...
Where the ears are deaf, and tongues too dry
where the arms don't hold, and seeing eyes go blind
Where nothing is everything
and everything is nothing:

"Arise-my soul, and sing."






terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

fórmula

Pra quem sabe
amar não existe
credo, cor, distância,
janela, calor, cotação,
lotação, rua, gênero.
Pra quem quer
amar é preciso
pôr-do-sol, refrão, chuva,
sonho, paciência, flor,
suspensão do medo.
Saber ou querer
amar independe de
qualquer fórmula assim.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Por todos os textos que comecei a escrever há dias e dias e não continuei

É. Não continuei. Porque, terminar é outra coisa. Terminar texto é como terminar de arrumar bagunça, terminar de falar com alguém que você admira, terminar de ler aquelas poesias que você tanto gosta. Não há esse tal de terminar de escrever.
Assim como também não há o que controlar, deter, determinar, segurar. É sentir amanhecer e ver que algo maior te enfia essa falta de controle garganta abaixo. Até porque a vida não é um vídeo-game. Ou seria algum jogo onde o personagem principal é, apesar das tentativas, incontrolável?
E é isso que tenho descoberto e encarado. Não há como prever e tentar acertar nas escolhas sempre e sobre-tudo. O inesperado dá um jeito de surpreender. Felizmente.